Origami na educação e na vida - Rondinelli Paier Desteffani
Origami na educação e na vida
Uma atividade extracurricular pode mudar para melhor o desempenho criativo e a qualidade de vida de um estudante.
Já é sabido que “hobbies”, como os que a gente costumava ter quando criança: coleção de moedas, pipas, selos, etc. fizeram e ainda fazem a diferença no mundo adulto. Muitas pessoas concordam que essas atividades do mundo lúdico eram prazerosas e traziam conhecimento. Conhecimento esse que, pra algumas passoas, foram transformadas em profissões ou negócios. Quem nunca viu um adulto comercializando os próprios brinquedos em madeira em feirinhas ou montando sua própria loja de “hobbies” num shopping local? Estes são alguns exemplos de muitos que são plantados na infância entre brincadeiras e faz de contas.
Nesse texto, vou defender a inclusão de uma arte barata, divertida e que socializa pessoas de idades distintas: da criança ao adulto. É uma arte que pode ser facilmente inserida na grade curricular ou extracurricular das escolas de todo o Brasil. Tanto adultos quanto criancas em processo de aprendizagem podem praticá-la e através dela descobrir interatividade, prazer e conhecimento. É uma arte que encanta com suas formas e cores e é chamada Origami. Num primeiro momento a palavra pode soar estranha, mas seu conceito está mais perto de você do que possa imaginar: Se você algum dia ficou dobrando um papel de bala enquanto conversava, você já praticou Origami. Quando você dobra suas camisas para que elas tomem novos formatos para sua mala ou gaveta, você certamente está praticando Origami. Ambos os casos agregam valores. O valor do prazer imperceptível no ato de ficar dobrando um papel de bala à utilidade quando você dobra suas roupas para por no armário. E esses dois valores: utilidade e ludismo encantam uma gama muito grande de pessoas. Mas o verdadeiro “purismo” dessa arte é dobrar o papel para que ele tome uma nova forma e isso inclui figuras humanas, objetos, figuras abstratas, decorativas e muitas mais que saem das mentes de milhares de origamistas todos os dias. O efeito final pode agradar as criancas pela simplicidade e aos adultos pela beleza complexa e desafiante de alguns modelos. Há muito mais por detrás do Origami do que os barquinhos, aviõezinhos, balõezinhos que você já dobrou pra se divertir quando criança.
Mesmo tendo origens orientais essa arte ainda não é milenar. Contudo, foi divulgada através dos ultimos séculos em áreas do conhecimento humano que merecem atenção e destaque. Dobrando papéis durante anos, várias culturas (da japonesa no oriente à nossa cultura brasileira no ocidente) encontraram prazer e utilidade. O conceito moderno do Origami não só dobra papéis mas também ajuda a dobrar utilidades, soluções e tecnologias ao redor do mundo. O benefícios nos campos da Matemática, Ciência e Arte por exemplo, se estenderam por diversas universidades sendo objeto de estudo em diferente locais do planeta. No Japão por exemplo, o Origami é aplicado na educação desde 1972 e as crianças são iniciadas pelos pais quando ainda pequenas. Um outro bom exemplo está na Universidade de Nova Jersey nos Estados Unidos onde o Origami é utilizado nas aulas de geometria computacional em 3D a algum tempo. Origami é realmente uma arte barata. Atualmente as diversas fontes para pesquisa na internet e a acessibilidade cada vez maior aos computadores podem trazer esse recurso para dentro das escolas na mesma velocidade que a rede avança. O Brasil é o sétimo maior produtor de celulose do planeta e a quantidade de papel presente em nossa sociedade prova que os meios podem ser encontrados em diversos locais e de forma bem acessível.
A presença do Origami em nossa vida cotidiana é maior do que pensamos. Hoje o Origami tem aplicabilidades que ultrapassam a nossa percepção na correria do dia-a-dia. O Origami está presente nos automóveis onde - por meio de dobras - foi conseguido uma total eficiência no equipamento de segurança conhecido como “air-bag”, evitando explosões quando inflados. Nos aviões também, por meio das maiores envergaduras de asas já obtidas e dispositivos que se “dobram e desdobram” aumentando a eficiência das aeronaves e economizando espaço. E por falar em espaço, lá o Origami simula e determina como serão abertos os gigantescos painéis solares e discos de satélite que circularão ao redor do planeta. Com o Origami, foi possível também desenvolver embalagens mais práticas como as caixas de comida chinesa, caixas de hambúrgueres, sacolas de compra etc. Até na moda o Origami ajudou e ajuda a definir novos conceitos com roupas que podem ser dobradas e encaixadas para formar novas pecas e novos estilos. São inúmeras as aplicabilidades do Origami e isso denota que os países mais desenvolvidos já visualizaram o quão produtivo é, utilizar Origami em locais onde se produz conhecimento e desenvolvimento como escolas, universidades e centros de pesquisa.
Uma arte que é fundamentalmente cativante e agrega tantos valores, precisa ser mais bem divulgada e inserida em nossa realidade. O conhecimento que se deixa no fundo da gaveta ou preso nos livros da estante é um conhecimento inerte e improdutivo. Defender essa arte e sua aplicação em nossas escolas é um dever de todo origamista que quer, assim como uma grande maioria de nossa sociedade, ver nosso país avançando em educação, desenvolvimento e cultura.
Rondinelli Paier Desteffani - New Jersey – USA 08 de Abril de 2006.